Luzes de navegação: setores, cores e o que elas dizem
Identificar de noite o tipo, o rumo e o porte de uma embarcação a partir das luzes que exibe.
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As luzes de navegação existem para responder a três perguntas ao mesmo tempo: o que é aquela embarcação, para onde vai e que tamanho tem. Compreender os setores de visibilidade é o passo que torna tudo o resto dedutível.
Os quatro setores
- — encarnada a bombordo, verde a estibordo. Cada uma cobre um setor de 112,5°, da proa até 22,5° para a ré do do seu lado.
- (ou luz de mastro) — branca, à frente e acima, cobrindo 225°: exatamente a soma das duas luzes de bordo.
- — branca, à popa, cobrindo os restantes 135°.
- — cobre os 360°. É a que se usa em fundeada e nas luzes que identificam situações especiais.
112,5 + 112,5 + 135 = 360. Os setores encaixam sem deixar buracos, e é por isso que a combinação de luzes que se vê determina de forma unívoca a posição relativa da outra embarcação.
Embarcação a motor em marcha
Uma embarcação a motor a navegar exibe luz de topo, luzes de bordo e luz de alcançado.
As embarcações de 50 metros ou mais exibem ainda uma segunda luz de topo, à ré da primeira e mais alta do que ela. As de comprimento inferior a 50 metros podem exibi-la, mas não são obrigadas.
Isto dá uma leitura de porte gratuita: duas luzes de topo brancas alinhadas na vertical significa um navio grande. E dá também uma leitura de rumo — quando as duas luzes de topo se alinham na vertical, o navio vem direito a ti; quando se separam, está de través.
Embarcação à vela em marcha
Uma embarcação à vela exibe luzes de bordo e luz de alcançado — e mais nada. A ausência de luz de topo branca é o que a identifica como veleiro.
Há duas variantes previstas:
- Pode exibir, no topo do mastro ou perto dele, duas luzes visíveis em volta na vertical: encarnada em cima, verde em baixo. É facultativo, e não pode ser combinado com a lanterna tricolor descrita a seguir.
- Uma embarcação à vela de comprimento inferior a 20 metros pode reunir as luzes de bordo e a luz de alcançado numa única lanterna , colocada no topo do mastro ou perto dele.
À vela e a motor ao mesmo tempo
Um veleiro que ligue o motor passa a ser, para todos os efeitos, uma embarcação a motor: exibe as luzes de embarcação a motor, incluindo a luz de topo, e perde a posição que a regra 18 lhe dava.
De dia, deve exibir à proa, no lugar mais visível, um cone preto com o vértice virado para baixo. É uma das marcas diurnas mais esquecidas da náutica de recreio — e das poucas que interessam a um veleiro no dia-a-dia.
Fundeada
Uma embarcação fundeada exibe, onde melhor se veja, uma luz branca visível em volta à proa. As de 50 metros ou mais exibem ainda uma segunda luz branca visível em volta, à popa e mais baixa.
De dia, a marca correspondente é uma esfera preta à proa.
Alcance de visibilidade
O RIPEAM fixa alcances mínimos de visibilidade que variam com o comprimento da embarcação. A tendência é intuitiva — quanto maior a embarcação, maior o alcance exigido, e a luz de topo é sempre a de maior alcance — mas os valores exatos por escalão de comprimento devem ser confirmados diretamente no texto da regra 22 antes de serem decorados para exame.
Antes de navegar de noite
- Testar todas as luzes de navegação com o barco ainda amarrado
- Levar lâmpadas ou fusíveis sobresselentes
- Decidir e explicar à tripulação: tricolor ou luzes de convés
- Ter uma lanterna estanque potente à mão, para iluminar a vela
- Confirmar que o cone preto está a bordo e acessível
Fontes
- RIPEAM/COLREGS 1972, regras 20 a 31 (Parte C — Luzes e marcas) e Anexo I
Conteúdo educativo. Confirma sempre a informação nas publicações oficiais antes de navegar.