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Lobo dos Mares

Segurança no trabalho com cabos

Um cabo com carga é uma máquina. Como trabalhar com ele sem deixar dedos, e o que fazer quando parte.

Intermédio9 min de leitura#marinharia#seguranca#cabos#winch

Atualizado em

Quase todos os acidentes a bordo de um veleiro de recreio envolvem um cabo, uma retranca ou uma escada. Os cabos são os mais frequentes, e os mais evitáveis — porque as regras são poucas e simples.

A ideia de fundo é uma só: um cabo com carga não é um cabo, é uma máquina. Guarda a mesma distância que guardarias de um motor a trabalhar.

Winches

O multiplica a força das tuas mãos por muito. Trata-o em conformidade:

  • Voltas a mais, não a menos. Três voltas no tambor para trabalho normal, mais em carga alta. Poucas voltas fazem o cabo patinar; muitas fazem-no montar por cima de si próprio.
  • A mão que alimenta o cabo fica longe do tambor. Nunca acompanhes o cabo até ao tambor com os dedos: guia-o a um palmo de distância.
  • Um cabo montado não se resolve à força. Se o cabo montou por cima de si próprio, alivia a carga — com outro cabo, se for preciso — antes de tentar desfazer. Puxar com força é como se perdem dedos.
  • Larga com a palma da mão em cima do tambor, deixando o cabo correr controlado. Nunca com os dedos por baixo.

Amarração e reboque

  • Não sirvas de defensa. A tentação de aparar o barco com o pé ou com a mão contra o pontão é enorme, e é como se partem tornozelos e pulsos. Um barco de cinco toneladas a um nó não se trava com uma perna. Usa defensas e deixa-o bater.
  • Não saltes para o cais com um cabo na mão. Aproxima-te o suficiente para passar, ou lança o cabo.
  • Em reboque, o cabo trabalha imenso. Passa-o por um ponto forte — nunca por um balaústre — e mantém toda a gente fora do seu alinhamento. Tem à mão uma faca para o cortar, e diz a toda a gente onde ela está.

Cabos, pés e convés

Muito do que corre mal não é dramático — é tropeçar. Cabos largados no convés, voltas em cima de escotilhas, chicotes a pendurar para dentro do poço.

Colher e arrumar não é arrumação: é prevenção. Um cabo que se pisa, com o barco a abanar, é uma queda; e uma queda a bordo é uma cabeça contra qualquer coisa dura.

A mesma lógica vale para os seios largados: um seio de escota no chão, com um pé lá dentro, e a vela a puxar de repente, é uma armadilha perfeita.

Antes de meter carga num cabo

  • Ninguém no prolongamento do cabo
  • Dedos longe de tambores, roldanas e gatos
  • Cabo a passar por um ponto forte, não por um balaústre
  • Faca acessível e conhecida por toda a gente
  • Convés livre de seios largados e de cabos por colher
  • Toda a gente avisada, em voz alta, antes de a carga entrar

Fontes

  • Manuais de marinharia e de formação de vela reconhecidos
  • Boas práticas de bordo e recomendações de segurança para a náutica de recreio

Conteúdo educativo. Confirma sempre a informação nas publicações oficiais antes de navegar.

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