O cabo e as suas partes
Chicote, seio e firme — três palavras que fazem toda a diferença quando alguém te explica um nó.
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Antes dos nós, o vocabulário. Sem estas três palavras, qualquer explicação de um nó fica incompreensível — e com elas fica quase óbvia.
- — a ponta solta do cabo, aquela com que se trabalha.
- — o resto do cabo, a parte que está presa ou sob tração. É o que aguenta a carga.
- — qualquer curva ou dobra do cabo, sem cruzamento.
A um seio fechado, com o cabo a cruzar-se, chama-se — é o «poço» do lais de guia.
De que são feitos
A bordo de um veleiro de recreio encontras quase sempre fibras sintéticas, e vale a pena saber distingui-las porque se comportam de maneiras diferentes:
- Poliéster — o cabo de trabalho por excelência. Estica pouco, aguenta o sol, é o que se usa em escotas e drizas.
- Polipropileno — barato e flutua, o que o torna útil em cabos de salvamento e de reboque de anexo. Em contrapartida degrada-se depressa ao sol e agarra-se mal aos nós.
- Poliamida (nylon) — estica bastante, e por isso absorve solavancos. É o material das amarras e dos cabos de fundear.
A regra prática que daqui sai: cabo que estica serve para amarrar, cabo que não estica serve para trabalhar. Uma escota de nylon deixa a vela a respirar sozinha; uma amarra de poliéster transmite todos os solavancos ao barco.
Tratar de um cabo
Um cabo bem tratado dura anos; mal tratado, estraga-se numa época.
- Falcaçar o chicote. Uma — umas voltas de linha bem apertadas na ponta — impede o cabo de se descochar. Em cabos sintéticos usa-se também o queimar da ponta, mas a falcaça é mais limpa e não deixa uma bola dura que não passa nas roldanas.
- Colher em voltas iguais, sempre no mesmo sentido, e pendurar. Um cabo largado em molho no fundo do poço faz cocas — e uma coca numa escota, no pior momento, encrava a roldana.
- Lavar em água doce de vez em quando. O sal cristaliza dentro das fibras e corta-as por dentro.
- Inspecionar onde ele trabalha: junto às roldanas, aos gatos e às buzinas. É aí que se gasta, e é aí que parte.
Nós, voltas e cotes
A marinharia distingue três coisas que em terra se chamam todas «nó»:
- Nó — feito no próprio cabo, ou a unir dois cabos. Existe por si, sem precisar de nada onde se prender. O nó direito e o lais de guia são nós.
- Volta — dá-se à volta de alguma coisa: um poste, um varão, um cunho. Sem esse objeto, desfaz-se. A volta de fiel e a volta de cunho são voltas.
- — uma meia-volta simples do chicote sobre o firme. Sozinho não segura nada; usa-se aos pares, ou a rematar outra coisa.
A distinção não é pedantismo: diz-te se podes fazer o nó com o cabo na mão ou se tens de o passar à volta de qualquer coisa primeiro.
Cuidados com os cabos a bordo
- Chicotes falcaçados ou rematados
- Cabos colhidos no mesmo sentido e pendurados
- Lavagem em água doce depois de saídas com mar
- Inspeção das zonas que passam por roldanas e gatos
- Cabos de segurança substituídos ao primeiro sinal de desgaste
Fontes
- Manuais de marinharia e de formação de vela reconhecidos
- Boas práticas de bordo
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