Nós
Nó direito, lais de guia, nó de ladrão e nó de escota — com o cabo a fazê-los à tua frente, passo a passo.
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Um nó faz-se no próprio cabo, ou a unir dois cabos. Ao contrário de uma volta, não precisa de nada onde se prender: existe por si.
Em cada animação podes reproduzir, parar, e saltar de passo em passo clicando nos números. Repara sempre em duas coisas: por onde passa o chicote e de que lado ele sai no fim. É quase sempre aí que está a diferença entre um nó que segura e um que corre.
Nó direito
O nó de juntar dois cabos da mesma grossura. Chama-se também nó de rizes, porque é o que se usa para rizar uma vela — e é essa a sua vocação: apertar uma coisa à volta de outra, com tensão constante.
1. Os dois chicotes — Dois cabos da mesma grossura, com os chicotes a apontar um para o outro.
- Para que serve
- Unir dois cabos da mesma grossura, com tensão constante. Rizar uma vela.
- Quando não serve
- Nunca para unir cabos de grossuras diferentes, nem para nada de que dependa uma vida. Com a tensão a variar, corre e desfaz-se.
- Para não esquecer
- Direito sobre esquerdo, esquerdo sobre direito. Trocada a ordem, sai um nó de ladrão.
Nó de ladrão
Está aqui por uma razão: para aprenderes a não o fazer. É o erro mais comum de quem julga que está a dar um nó direito. Compara os dois com atenção — a diferença é uma só, e está nos chicotes.
1. Os dois chicotes — Igual ao nó direito: dois cabos, chicotes a apontar um para o outro.
- Para que serve
- Serve para ser reconhecido, não para segurar. À primeira vista é igual ao nó direito; a diferença está nos chicotes.
- Quando não serve
- Nunca como nó de trabalho. Corre com facilidade.
- Para não esquecer
- O nome vem do saco do marinheiro: atava-se com este nó e, se alguém lá mexesse, refazia-o com um nó direito — e ficava denunciado.
Lais de guia pelo chicote
Se só puderes aprender um nó, aprende este. Faz uma laçada que não corre: aguenta carga, não aperta, e desfaz-se com facilidade depois de aliviada.
É o nó que se dá à volta de uma argola de amarração, o que se passa a um homem ao mar, e o que se usa para prender a driza à vela.
1. O cocho — Faz um pequeno seio no firme — é o «poço». O firme sobe por trás dele.
- Para que serve
- Fazer uma laçada que não corre — não aperta com a carga. O nó do homem ao mar, e o que se dá numa argola de amarração.
- Quando não serve
- Com carga em cima é difícil de desfazer; solta-se depois de aliviar. Em cabos muito rígidos, convém rematar o chicote.
- Para não esquecer
- A cobra sai do poço, dá a volta à árvore e volta ao poço. O poço é o cocho, a árvore é o firme.
Nó de escota (singelo)
O nó para unir cabos de grossuras diferentes — que é onde o nó direito falha. O cabo grosso faz o seio e fica quieto; o fino é que trabalha, dá a volta e prende-se a si próprio.
1. O seio no cabo grosso — Dobra o cabo grosso em U. É este seio que vai receber o outro.
- Para que serve
- Unir dois cabos de grossuras diferentes. O cabo grosso faz o seio, o fino dá-lhe a volta e prende-se a si próprio.
- Quando não serve
- Com cabos muito desiguais ou escorregadios, dá-se uma volta a mais — passa a nó de escota dobrado.
- Para não esquecer
- O grosso faz o U, o fino dá a volta ao U e enfia-se por baixo de si próprio.
Quando o singelo não chega
Se os dois cabos forem muito desiguais, ou se um deles for escorregadio, dá-se uma volta a mais com o chicote fino, por cima da primeira, antes de o enfiar. Passa a chamar-se nó de escota dobrado e segura muito melhor.
Confere sempre uma coisa no fim: os dois chicotes têm de ficar do mesmo lado do nó. Se saírem em lados opostos, o nó está mal dado e vai correr.
Qual usar
| Preciso de… | Nó | Cuidado |
|---|---|---|
| Unir dois cabos iguais, com tensão constante | Nó direito | Corre se a tensão variar |
| Unir dois cabos de grossuras diferentes | Nó de escota | Chicotes do mesmo lado |
| Uma laçada que não aperte | Lais de guia | Difícil de largar com carga em cima |
| Juntar dois cabos a sério, com carga | Dois lais de guia entrelaçados | Ocupa mais cabo |
Fontes
- Manuais de marinharia e de formação de vela reconhecidos
- Boas práticas de bordo
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