MAYDAY — a chamada de socorro
As nove linhas que se dizem quando a embarcação se vai perder, como se responde a quem as diz, e como se pede socorro por outro.
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O — que se pronuncia mêdê — reserva-se para uma situação: perigo grave e iminente, que exige assistência imediata. A embarcação vai perder-se, ou alguém a bordo vai morrer, se ninguém vier.
Não é para avarias, não é para susto, não é para «acho que vamos precisar de ajuda mais logo». Para isso há o PAN PAN, que vem na lição seguinte.
A ordem das nove linhas
A sequência é sempre a mesma, e é essa a razão de existir: não tens de decidir nada, só percorrer a lista. Exemplo com o veleiro Orca, com fogo a bordo, três milhas a oeste do farol de Aveiro:
MAYDAY, MAYDAY, MAYDAYAQUIORCA, ORCA, ORCAMAYDAYORCAPOSIÇÃO: 3 MILHAS A OESTE DO FAROL DE AVEIROTENHO FOGO A BORDONECESSITO AUXÍLIO URGENTEESCUTO
A repetição do passo 4 e 5 não é engano: a primeira parte é o alerta, que faz toda a gente levantar a cabeça; a segunda é a mensagem, e começa por se identificar outra vez, para quem só apanhou o rádio a meio.
O que a prática internacional acrescenta
A sequência acima é a que o curso ensina e chega para o exame. Em serviço real, convém acrescentar no fim da mensagem, antes do «escuto»:
- Número de pessoas a bordo. Determina os meios que enviam.
- MMSI ou indicativo de chamada, se tiveres.
- Qualquer informação que ajude a encontrar-te: cor do casco, se estás a abandonar, se tens jangada, sinais pirotécnicos à mão.
E depois fica à escuta e não desligues o rádio. Quem te vem buscar precisa de te voltar a falar.
Ouviste um MAYDAY. E agora?
Primeiro: não respondas logo. Dá alguns segundos para uma estação costeira ou um centro de coordenação responder — têm meios que tu não tens. Se ninguém responder, e só então, respondes tu.
Se fores o veleiro Tubarão a responder ao Orca:
MAYDAYORCA, ORCA, ORCAAQUITUBARÃO, TUBARÃO, TUBARÃOMAYDAY RECEBIDOESTAREI AÍ DENTRO DE UMA HORAESCUTO
E o Orca fecha:
MAYDAYTUBARÃOAQUIORCACOMPREENDIDO, FICO À ESCUTA NO CANAL 16TERMINADO
MAYDAY RELAY — pedir socorro por outro
Usa-se o — mêdê relê — quando não és tu quem está em perigo, mas sabes de alguém que está. Dois casos típicos:
- Ouviste um MAYDAY que mais ninguém parece ter ouvido, e a embarcação em perigo não consegue voltar a transmitir.
- Vês uma embarcação em apuros que não tem rádio, ou pessoas na água.
Se o veleiro Foca retransmite o pedido do Orca:
MAYDAY RELAY, MAYDAY RELAY, MAYDAY RELAY AQUI FOCA, FOCA, FOCA MAYDAY ORCA
E a seguir a mensagem do Orca tal como a ouviste — posição, natureza do perigo, auxílio pedido.
Cartão de emergência para colar junto ao rádio
- Carregar no botão de DSC, cinco segundos, tampa vermelha
- Canal 16, potência máxima
- MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY — AQUI — nome do barco três vezes
- MAYDAY — nome do barco — POSIÇÃO
- Natureza do perigo e auxílio necessário
- Número de pessoas a bordo
- ESCUTO — e ficar à escuta, sem desligar
Fontes
- UIT — Regulamento das Radiocomunicações, Capítulo VII (comunicações de socorro e segurança)
- UIT — Recomendação ITU-R M.1171 (procedimentos de radiotelefonia)
- OMI — Frases Normalizadas para as Comunicações Marítimas (SMCP)
- Material de formação de Patrão Local (AVELA) — sequência de chamada de socorro
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