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Lobo dos Mares

Faróis da costa portuguesa, para praticar

Onze luzes reais, do Minho ao Guadiana, com a característica tal como aparece na carta — e o que cada uma tem de particular.

Intermédio12 min de leitura#farois#caracteristica#carta#exercicio

Atualizado em

Saber o que é um relâmpago longo não chega. O que se faz no mar é olhar para um ponto de luz, contar, e dizer um nome. Esta lição existe para treinar essa passagem — do ritmo ao nome.

São onze luzes da costa portuguesa, com a característica escrita exatamente como aparece na carta. Lê primeiro a abreviatura, tapa a tradução, e só depois confere.

As onze, de norte para sul

A coluna do meio é o que está impresso na carta. A da direita é a mesma coisa por extenso.
FarolNa cartaPor extenso
ÍnsuaFl.WGR.4s17m12/8/9MRelâmpagos branco, verde e encarnado conforme o setor · 4 s · 17 m · 12/8/9 M
AveiroFl(4)13s66m23MQuatro relâmpagos agrupados · 13 s · 66 m · 23 M
Aveiro, molhe norteFl.R.3s12m8M Horn(1)15sRelâmpagos encarnados · 3 s · 12 m · 8 M · ronca a cada 15 s
Aveiro, molhe sulFl.G.3s17m9MRelâmpagos verdes · 3 s · 17 m · 9 M
BerlengaFl.10s121m27M Horn(1)28sRelâmpagos · 10 s · 121 m · 27 M · ronca a cada 28 s
FarilhãoFl(2)5s100m13MDois relâmpagos agrupados · 5 s · 100 m · 13 M
Cabo CarvoeiroFl(3)R.15s57m15M Horn(1)35sTrês relâmpagos agrupados encarnados · 15 s · 57 m · 15 M · ronca a cada 35 s
Porto das BarcasLFl.R.6s30m6MRelâmpagos longos encarnados · 6 s · 30 m · 6 M
AssentaLFl.5s75m13MRelâmpagos longos · 5 s · 75 m · 13 M
EriceiraOc.R.3s35m6M Siren.70sOcultações encarnadas · 3 s · 35 m · 6 M · sirene a cada 70 s
Vila Real de Santo AntónioFl.6,5s52m26MRelâmpagos · 6,5 s · 52 m · 26 M

Ler a tabela ao contrário

Repara no que a coluna do meio te dá antes de saberes o nome. A altitude e o alcance dizem-te que tipo de luz é:

  • Berlenga, 121 m e 27 M e Vila Real de Santo António, 52 m e 26 M — faróis de recalada. Feitos para serem apanhados de longe, a caminho de terra.
  • Cabo Carvoeiro, 57 m e 15 M e Assenta, 75 m e 13 M — luzes de ponto de costa. Marcam um acidente do litoral, não uma entrada.
  • Molhes de Aveiro, 12 e 17 m, 8 e 9 M — luzes de entrada. Só as vês quando já lá estás quase.

Um farol alto com pouco alcance ou um farol baixo com muito alcance são raros. Quando a conta não bate, vale a pena reler.

Farilhão — dois relâmpagos agrupados

O grupo mais curto que há: dois painéis, uma volta a cada cinco segundos. Com o período tão apertado, a pausa entre grupos é pequena — e é aí que se erra a contagem. Conta pelo início do grupo, nunca pelos intervalos.

Cem metros de altitude com treze milhas de alcance: está alto porque a ilha é alta, não porque a luz seja potente.

Farol do FarilhãoFl(2) 5s100 m13 M

Vista de cima

onde estás · linha tracejada, a tua linha de vista

O que vês daqui

A torre é desenhada mais alta ou mais baixa conforme a altitude da luz — 100 m aqui. Serve para comparar, não para medir.

Um ciclo completo — 5 segundos

A linha encarnada é o instante que estás a ver. As barras claras são os momentos em que a luz se vê daqui.

Fl(2) 5s — 2 relâmpagos agrupados de luz branca, período de 5 segundos. 100 m de altitude, 13 milhas de alcance nominal.

Ótica com 2 painéis juntos, a dar uma volta completa a cada 5 segundos. Vês os 2 relâmpagos seguidos quando o conjunto passa por cima de ti, e depois escuro até à volta seguinte.

Arrasta o cursor para dares a volta ao farol: muda o momento em que apanhas o feixe, mas o ritmo que contas é sempre o mesmo. É por isso que um farol se identifica pelo período, e não pela hora a que relampeja.

Cabo Carvoeiro — três relâmpagos encarnados

Uma característica completa, com tudo o que um farol pode ter: grupo, cor, período longo, altitude, alcance e sinal de nevoeiro. Fl(3)R.15s57m15M Horn(1)35s.

Quinze segundos de período é muito. Se contares mal e disseres doze, dás com outro farol — por isso é que se conta o período com relógio, e não de cabeça.

Farol do Cabo CarvoeiroFl(3) R 15s57 m15 M

Vista de cima

onde estás · linha tracejada, a tua linha de vista

O que vês daqui

A torre é desenhada mais alta ou mais baixa conforme a altitude da luz — 57 m aqui. Serve para comparar, não para medir.

Um ciclo completo — 15 segundos

A linha encarnada é o instante que estás a ver. As barras claras são os momentos em que a luz se vê daqui.

Fl(3) R 15s — 3 relâmpagos agrupados de luz vermelha, período de 15 segundos. 57 m de altitude, 15 milhas de alcance nominal, ronca a cada 35 segundos.

Ótica com 3 painéis juntos, a dar uma volta completa a cada 15 segundos. Vês os 3 relâmpagos seguidos quando o conjunto passa por cima de ti, e depois escuro até à volta seguinte.

Arrasta o cursor para dares a volta ao farol: muda o momento em que apanhas o feixe, mas o ritmo que contas é sempre o mesmo. É por isso que um farol se identifica pelo período, e não pela hora a que relampeja.

Assenta — relâmpagos longos, brancos

Compara com o Porto das Barcas, que também é de relâmpagos longos: LFl.5s75m13M contra LFl.R.6s30m6M. Mesmo ritmo, e nada mais em comum. Um é branco a 75 metros e vê-se a treze milhas; o outro é encarnado a 30 metros e vê-se a seis.

É o exemplo de que o ritmo sozinho nunca identifica um farol.

Farol da AssentaLFl 5s75 m13 M

Vista de cima

onde estás · linha tracejada, a tua linha de vista

O que vês daqui

A torre é desenhada mais alta ou mais baixa conforme a altitude da luz — 75 m aqui. Serve para comparar, não para medir.

Um ciclo completo — 5 segundos

A linha encarnada é o instante que estás a ver. As barras claras são os momentos em que a luz se vê daqui.

LFl 5s — Relâmpagos longos de luz branca, período de 5 segundos. 75 m de altitude, 13 milhas de alcance nominal.

Ótica com um painel, a dar uma volta completa a cada 5 segundos. Vês um relâmpago de cada vez que o feixe te apanha.

Arrasta o cursor para dares a volta ao farol: muda o momento em que apanhas o feixe, mas o ritmo que contas é sempre o mesmo. É por isso que um farol se identifica pelo período, e não pela hora a que relampeja.

Ericeira — ocultações, não agrupadas

Oc.R.3s35m6M Siren.70s. Sem número entre parênteses: é uma ocultação por período, e não um grupo. A luz está quase sempre acesa e pestaneja uma vez a cada três segundos.

Repara na vista de cima: não há feixe a rodar. Uma luz de ocultações vê-se igual de todo o lado — mover o observador não muda nada.

Farol da EriceiraOc R 3s35 m6 M

Vista de cima

onde estás · linha tracejada, a tua linha de vista

O que vês daqui

A torre é desenhada mais alta ou mais baixa conforme a altitude da luz — 35 m aqui. Serve para comparar, não para medir.

Um ciclo completo — 3 segundos

A linha encarnada é o instante que estás a ver. As barras claras são os momentos em que a luz se vê daqui.

Oc R 3s — Ocultações de luz vermelha: a luz está mais tempo acesa do que apagada, período de 3 segundos. 35 m de altitude, 6 milhas de alcance nominal, sirene a cada 70 segundos.

Luz acesa em todo o horizonte, tapada periodicamente por um eclipsador. Toda a gente vê o mesmo ao mesmo tempo, esteja onde estiver à volta do farol.

Vila Real de Santo António — o período com vírgula

Fl.6,5s52m26M. Um período pode ter casas decimais, e isso não é um pormenor de contabilidade: seis segundos e meio distingue-se de seis, e distingue-se de sete, se cronometrares vários ciclos em vez de um.

Vinte e seis milhas de alcance nominal a 52 metros de altitude — é o farol que marca a entrada do Guadiana e a passagem para Espanha.

Farol de Vila Real de Santo AntónioFl 6,5s52 m26 M

Vista de cima

onde estás · linha tracejada, a tua linha de vista

O que vês daqui

A torre é desenhada mais alta ou mais baixa conforme a altitude da luz — 52 m aqui. Serve para comparar, não para medir.

Um ciclo completo — 6,5 segundos

A linha encarnada é o instante que estás a ver. As barras claras são os momentos em que a luz se vê daqui.

Fl 6,5s — Relâmpagos de luz branca, um a cada 6,5 segundos. 52 m de altitude, 26 milhas de alcance nominal.

Ótica com um painel, a dar uma volta completa a cada 6,5 segundos. Vês um relâmpago de cada vez que o feixe te apanha.

Arrasta o cursor para dares a volta ao farol: muda o momento em que apanhas o feixe, mas o ritmo que contas é sempre o mesmo. É por isso que um farol se identifica pelo período, e não pela hora a que relampeja.

Identificar uma luz avistada, por ordem

  • Contar o ritmo: relâmpagos, ocultações ou isofásico
  • Contar quantos por grupo, se forem agrupados
  • Cronometrar dez períodos e dividir por dez
  • Anotar a cor, se não for branca
  • Ouvir se há sinal de nevoeiro e cronometrar o intervalo
  • Só depois procurar na carta — e confirmar com altitude e alcance

Fontes

  • Instituto Hidrográfico — Lista de Faróis e cartas náuticas
  • Instituto Hidrográfico — simbologia das cartas (INT 1), secção de luzes
  • Exercício de faróis do curso de Patrão Local (documento de formação, corrigido)

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